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Destaque

Nova terapia promissora reverte danos cerebrais em modelo animal de Alzheimer

Uma descoberta científica recente, publicada na renomada revista Nature Medicine, aponta para um avanço significativo na busca por tratamentos eficazes contra a doença de Alzheimer. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desenvolveram uma nova abordagem terapêutica que demonstrou a capacidade de reverter danos cerebrais em modelos animais da doença, oferecendo um vislumbre de esperança para milhões de pessoas afetadas globalmente. A pesquisa focou em um mecanismo celular específico que se acredita ser um dos principais motores da neurodegeneração observada no Alzheimer. A equipe conseguiu modular a atividade de proteínas envolvidas em processos inflamatórios crônicos no cérebro, um fator cada vez mais reconhecido como crucial no desenvolvimento e progressão da doença. Os resultados preliminares são animadores e abrem novas avenidas para a investigação clínica. A terapia experimental, ainda em estágios iniciais de desenvolvimento, utilizou uma combinação de comp...

Seca, excesso de chuva e colheitas em risco no Brasil

Como as mudanças climáticas afetam a produção de alimentos no brasil — Jornal Metro

Seca, excesso de chuva e colheitas em risco no Brasil

Em 2026, o Brasil enfrenta uma crise alimentar silenciosa: a produção agrícola despencou 12% no primeiro semestre por efeitos combinados de secas extremas, enchentes e ondas de calor sem precedentes.

Fazendeiros do Cerrado e do Nordeste relatam perdas recorde em soja, milho e feijão, enquanto preços de alimentos básicos disparam e famílias de baixa renda já sentem o impacto no cardápio diário.

Segundo dados do IBGE e do Ministério da Agricultura, o setor rural responde por **24% do PIB nacional** e emprega diretamente mais de **9 milhões de pessoas** — o que amplifica os efeitos da crise climática sobre a economia e o emprego.

Drought cornfield brazil — Jornal Metro

Secas e excesso de chuva: o novo normal agrícola

O El Niño de 2025–2026, combinado com mudanças nos padrões de circulação atmosférica, intensificou a oscilação entre períodos de seca extrema e precipitações torrenciais.

No Mato Grosso, maior produtor de soja do país, a deficiência hídrica reduziu a área plantada em 8%, enquanto no sul da Bahia, o excesso de chuva atrasou a colheita do café em mais de 45 dias.

"Estamos vivendo um ano de **transição climática acelerada**", afirma a meteorologista Maria Clara Mendes, da Embrapa Monitoramento por Satélite. "O que antes era evento extremo, agora ocorre com frequência anual."

A média histórica de chuvas no Cerrado caiu 22% nos últimos cinco anos, segundo dados do INPE. Ao mesmo tempo, eventos de precipitação intensa acima de 100 mm em 24 horas aumentaram 37%.

Flooded soybean field — Jornal Metro

Feijão: o alimento brasileiro em alerta vermelho

O feijão, símbolo da culinária brasileira, vive sua pior crise em duas décadas. A safra de primeiro semestre de 2026 foi 31% menor que a de 2025.

Em Minas Gerais, principal estado produtor, a seca combinada com temperaturas acima de 38 °C reduziu a produtividade média de 1,8 tonelada por hectare para apenas 1,2 t/ha.

O preço do quilo do feijão no atacado subiu 68% entre janeiro e maio de 2026, segundo o CEPEA/USP. No varejo, o aumento médio foi de 54%, atingindo R$ 14,20 em São Paulo.

A escassez também impacta programas sociais. O Governo Federal teve que adquirir 15% a mais de feijão para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), mas a oferta não acompanhou a demanda.

Agricultura familiar sob pressão

Milhares de pequenos produtores, que respondem por 70% do feijão e 30% da carne bovina consumidos no país, enfrentam dificuldades sem precedentes.

Em Goiás, a agricultora Maria dos Santos, de 58 anos, perdeu 80% da sua plantação de milho e feijão intercalado em abril. "Não tenho seguro rural, nem linhas de crédito acessíveis. Fiquei sem renda e sem semente para o próximo plantio", relata.

A pesquisa "Clima e Sobrevivência no Campo", conduzida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), revela que **68% dos pequenos agricultores** já consideram abandonar a atividade em até dois anos se as condições não melhorarem.

A perda de produtividade também afeta a segurança alimentar nacional. Segundo o Mapa da Fome 2026, divulgado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar (ConSEA), **10,4 milhões de brasileiros** vivem em insegurança alimentar grave — 2,1 milhões a mais que em 2024.

  • Soja: produção estimada em 142 milhões de toneladas (–11% ante 2025)
  • Milho: safra verão caiu 18% no Centro-Oeste
  • Feijão: queda de 31% na produção nacional no 1º semestre
  • Café: produção do Brasil no ciclo 2025–2026 foi a menor desde 2017
Smallholder farmer drought — Jornal Metro

Tecnologia e adaptação: o caminho para a resiliência

Empresas e instituições de pesquisa correm contra o tempo para desenvolver variedades de sementes mais resistentes ao estresse hídrico e térmico.

A Embrapa lançou em março de 2026 quatro novas linhagens de feijão com resistência à seca prolongada e ao calor extremo, mas a difusão tecnológica ainda é lenta entre os pequenos produtores.

"A transferência de tecnologia é um desafio estrutural", explica o pesquisador Carlos Eduardo Almeida, chefe da Embrapa Milho e Sorgo. "O produtor precisa de capacitação, infraestrutura de armazenamento e crédito para adotar práticas sustentáveis."

O uso de irrigação por gotejamento, por exemplo, cresceu 200% no último ano no semiárido, mas ainda atinge menos de 15% das áreas cultivadas com grãos na região.

Políticas públicas em atraso

O Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027 mantém linhas de crédito com juros de 5,5% ao ano — o mesmo de 2024 — mas a burocracia e o atraso na liberação comprometem sua eficácia.

O governo anunciou em maio o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), com investimento de R$ 2,8 bilhões nos próximos cinco anos. No entanto, ambientalistas questionam o cronograma de execução.

"Precisamos de **investimentos urgentes em infraestrutura hídrica rural**, como cisternas, barragens subterrâneas e sistemas de captação de água da chuva", afirma a gestora públicaAna Beatriz Lima, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Ainda em desenvolvimento, o Projeto de Lei 1.234/2026, que cria um fundo climático para o setor rural, tramita lentamente no Congresso Nacional, sem previsão de votação para este semestre.

O impacto global: o Brasil e o mercado internacional

Com a produção doméstica afetada, o Brasil pode perder participação no mercado internacional de commodities, especialmente de milho e feijão.

O país foi o maior exportador de milho em 2025, mas em 2026 já registra quedas de 19% nas exportações no acumulado do primeiro semestre, segundo a Abiove.

No caso do feijão, o Brasil importou 85 mil toneladas da Síria, Canadá e Turquia no primeiro trimestre de 2026 — primeira vez que o país comprou o grão no exterior em grande volume desde 2003.

Analistas do Banco Santander alertam que o aumento do custo das commodities agrícolas pode pressionar a inflação em até 0,8 ponto percentual em 2026, afetando diretamente o poder de compra das famílias.

"A estabilidade climática foi um *dividendo oculto* para a economia brasileira nas últimas décadas. Esse dividendo acabou", ressalta o economista-chefe do Ibre/FGV, Roberto Domingos.

Perspectivas e desafios para 2027

O segundo semestre de 2026 trará novos desafios: a plantade da safra de inverno (soja e trigo) depende das chuvas de outubro a dezembro.

O modelo climático do INPE indica probabilidade de 65% de El Niño no segundo semestre, o que reforça a necessidade de planejamento imediato.

Ao mesmo tempo, o setor privado investe em inteligência artificial para monitoramento de lavouras em tempo real. Empresas como Olam e JBS já testam drones e sensores de umidade no solo em mais de 200 mil hectares.

No entanto, a resistência à inovação e a falta de acesso ao crédito continuam sendo barreiras para a maioria dos pequenos e médios produtores.

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