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Destaque

Nova terapia promissora reverte danos cerebrais em modelo animal de Alzheimer

Uma descoberta científica recente, publicada na renomada revista Nature Medicine, aponta para um avanço significativo na busca por tratamentos eficazes contra a doença de Alzheimer. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desenvolveram uma nova abordagem terapêutica que demonstrou a capacidade de reverter danos cerebrais em modelos animais da doença, oferecendo um vislumbre de esperança para milhões de pessoas afetadas globalmente. A pesquisa focou em um mecanismo celular específico que se acredita ser um dos principais motores da neurodegeneração observada no Alzheimer. A equipe conseguiu modular a atividade de proteínas envolvidas em processos inflamatórios crônicos no cérebro, um fator cada vez mais reconhecido como crucial no desenvolvimento e progressão da doença. Os resultados preliminares são animadores e abrem novas avenidas para a investigação clínica. A terapia experimental, ainda em estágios iniciais de desenvolvimento, utilizou uma combinação de comp...

Secas, cheias e perda de produtividade: o custo climático da mesa brasileira

Como as mudanças climáticas afetam a produção de alimentos no brasil — Jornal Metro

Secas, cheias e perda de produtividade: o custo climático da mesa brasileira

A produção de alimentos no Brasil entrou em um novo patamar de vulnerabilidade: em 2026, a seca extrema no Cerrado e as chuvas intempestivas no Sul provocaram recuos de até 18% em safras de grãos essenciais, segundo dados do Conab divulgados nesta semana.

Famílias já sentem o impacto nos preços — o preço do feijão subiu 34% no último ano, o arroz teve alta de 21%, e o milho, principal insumo da avicultura e suinocultura, disparou 47%, aponta levantamento do IPEA.

Esse cenário coloca em risco a balança comercial agrícola do país, que em 2025 faturou US$ 122 bilhões com exportações — mas agora enfrenta incertezas que podem reduzir essa receita em até US$ 15 bilhões até o fim de 2026, segundo projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Drought soybean field brazil — Jornal Metro

Secas e cheias: o novo normal agrícola

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou que o primeiro semestre de 2026 será o mais seco dos últimos 70 anos no Centro-Oeste.

Em Mato Grosso, principal estado produtor de soja e milho, a umidade do solo caiu para 28% — nível considerado crítico para o plantio.

“A chuva veio, mas em excesso — 120 mm em 24 horas, quando o ideal seria 25 mm semanais”, afirmou o engenheiro agrônomoCarlos Almeida, da Embrapa, em reunião técnica em Brasília.

Essa volatilidade extremada exige adaptação imediata. No Rio Grande do Sul, a estiagem no início do ano queimou 200 mil hectares de trigo, enquanto, dois meses depois, cheias repentinas submergiram áreas de arroz.

Flooded rice field rio grande do sul — Jornal Metro

Quem paga a conta? Do campo à mesa

A cadeia produtiva inteira absorve o impacto. Produtores rurais enfrentam custos extras com irrigação, sementes耐性 e manejo fitossanitário reforçado.

Já os consumidores enfrentam preços elevados, com inflação no grupo “Alimentação no Domicílio” atingindo 9,2% em abril — acima da média geral do IPCA (6,8%).

Apesar do estoque atual de grãos ser de 106 milhões de toneladas — volume alto historicamente —, a distribuição regional e o transporte em vias comprometidas pelas chuvas geram escassez localizada e especulação.

“O problema não é a escassez absoluta, mas a geografia da crise”, explicou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, durante seminário no Senado.

  • Soja: 15% de perda na área plantada no Mato Grosso e Goiás
  • Feijão: 34% de alta no atacado entre maio de 2025 e maio de 2026
  • Arroz: 21% de aumento no preço ao consumidor, segundo IBGE
  • Milho: 47% de alta, impactando aves e suínos
  • Canadeaçúcar: colheita antecipada em 15 dias no Nordeste devido ao calor extremo

Investimentos em clima inteligente: caminho sem volta

O setor privado já reage. Empresas como JBS e Marfrig assinaram, em abril, termo de compromisso com o Ministério da Agricultura para adotar práticas de agricultura de baixo carbono até 2030.

No campo, tecnologia é a aposta: sensores de umidade, drones para monitoramento e sementes editadas geneticamente para maior resistência ao estresse hídrico começam a ser adotadas em larga escala.

A Embrapa Lançou em março o programa “AgroClima 2030”, com R$ 800 milhões em investimento inicial para pesquisa, adaptação de cultivares e capacitação de 50 mil agricultores.

“A adaptação não é opção — é condição para continuar produzindo”, afirmou o pesquisador Miguel Santos, coordenador do programa.

O risco de um “pico climático” na produção

Cientistas do IPCC apontam que o Brasil pode atingir um ponto de inflexão entre 2030 e 2035: além da temperatura média subir 2°C, a estiagem no Cerrado pode se tornar permanente.

Isso ameaçaria diretamente a “máquina agrícola” nacional: 70% da soja, 60% do milho e 85% do feijão são cultivados em áreas de cerrado.

O Brasil já perdeu 21% da cobertura nativa do bioma, e a fragmentação reduz a capacidade de retenção de água no solo — um dos principais fatores que suavizam oscilações climáticas.

Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas, cada 1°C de aumento acima da média histórica reduz a produtividade de grãos em 5% a 10%.

Políticas públicas e urgência do acordo climático

A PEC do Clima, em tramitação no Congresso, propõe metas vinculantes de redução de emissões para o setor agrícola, com prazo até 2045.

Além disso, o governo federal liberou R$ 1,3 bilhão em linhas de crédito especial para pequenos produtores adotarem técnicas resilientes — mas ainda há atraso na liberação e falta de capacitação local.

“Precisamos de seguros agrícolas acessíveis, infraestrutura hídrica descentralizada e incentivos fiscais para quem investe em recuperação de áreas degradadas”, defendeu a deputada Joenia Silva (AP), relatora da PEC.

No exterior, a União Europeia já sinalizou que exigirá comprovação de produção sustentável para importações a partir de 2027 — o que pode afetar até 30% das vendas externas do agronegócio.

A mensagem é clara: a mesa brasileira está cada vez mais conectada ao clima. Quem produzir com resiliência, ganhará mercado. Quem adiar, perderá alimentos — e vote.

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