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Destaque

Nova terapia promissora reverte danos cerebrais em modelo animal de Alzheimer

Uma descoberta científica recente, publicada na renomada revista Nature Medicine, aponta para um avanço significativo na busca por tratamentos eficazes contra a doença de Alzheimer. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desenvolveram uma nova abordagem terapêutica que demonstrou a capacidade de reverter danos cerebrais em modelos animais da doença, oferecendo um vislumbre de esperança para milhões de pessoas afetadas globalmente. A pesquisa focou em um mecanismo celular específico que se acredita ser um dos principais motores da neurodegeneração observada no Alzheimer. A equipe conseguiu modular a atividade de proteínas envolvidas em processos inflamatórios crônicos no cérebro, um fator cada vez mais reconhecido como crucial no desenvolvimento e progressão da doença. Os resultados preliminares são animadores e abrem novas avenidas para a investigação clínica. A terapia experimental, ainda em estágios iniciais de desenvolvimento, utilizou uma combinação de comp...

Casos de violência contra pessoas com deficiência disparam na pandemia em SP

O número de ocorrências triplicou no período de um ano; quase a cada hora, um caso de violência contra pessoa com deficiência é registrado no Brasil


Após um ano de queda em ocorrências, a violência contra pessoas com deficiência voltou a crescer em 2021. De acordo com dados do Instituto Jô Clemente (antiga APAE-SP) o número de casos registrados triplicou no período de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 670 ocorrências neste ano, considerando apenas vítimas com deficiência intelectual.

Para a psicóloga do Serviço Jurídico Social do Instituto, Ticiana Marenov, o aumento é expressivo. "São casos novos e também acompanhamentos de retornos. No ano todo de 2020 foram 309 atendimentos, já estamos em 800 e a projeção é de que chegue a 1.400 até o fim do ano. Um aumento significativo. Os casos estão aparecendo agora com a retomada por causa da subnotificação, com o fechamento de escolas e serviços especializados", afirma.

Até mesmo antes de a pandemia da Covid-19 começar já havida sido observada uma alta no número de casos de violência ou violação de direitos contra pessoas com deficiência intelectual. De janeiro a agosto de 2019 foram 1.080 notificações, sendo 317 novas. As informações são do R7.

Criada em 2014, a 1ª Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência em São Paulo, confirma o aumento do número de casos e faz uma análise do impacto da pandemia no cenário.

"Em 2019, tivemos 2.039 pessoas atendidas, em 2020 foram 1.469 porque a pessoa com deficiência não se arrisca a sair de casa, pegar metrô para registrar a ocorrência com medo da Covid-19. Até agosto deste ano, foram 1.170 atendimentos e está aumentando muito com a flexibilização", explica Maria Valéria Pereira Novaes de Paula Santos, delegada titular da 1ª Delegacia da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

FORMAS DE VIOLÊNCIA.

Responsável por acolher e oferecer atendimento psicológico, Ticiana Marenov recebe diferentes vítimas de violência no Instituto Jô Clemente. Ela lembra que, quando a mãe do deficiente sofre violência, indiretamente o filho também sofre o mau-trato.

"Violência é toda forma de agressão, seja psicológica, patrimonial, sexual, física ou violação de direitos humanos. Quando falamos em pessoas com deficiência intelectual, não podemos esquecer que o ambiente familiar, o mesmo que promove o cuidado, pode, por vezes, propiciar situações de violência, também aos cuidadores, o que acaba sobrecarregando a família", continuou a psicóloga.

Na Delegacia há diversos tipos de ocorrência. De acordo com a delegada titular muitas das vítimas são surdas e caem em golpes de estelionatários. Mas há ainda ocorrências de abuso sexual, maus-tratos, discriminação e outros.

Muitos dos agressores fazem parte do núcleo familiar da vítima, como irmãos, pais e outros parentes. Cuidadores também respondem por algumas denúncias.

INVESTIGAÇÃO.

Tão logo uma nova denúncia chega à delegacia, uma dupla de investigadores, acompanhada de psicólogos, assistentes sociais ou intérprete de libras, é enviada à residência para uma visita surpresa a fim de averiguar a situação, afirma a delegada.

Em um dos casos a família estava passando por dificuldades financeiras. "O jovem acamado perdeu muitos quilos. A mãe tinha dificuldade financeira e outros filhos. As psicólogas conversaram com o rapaz e a mãe dizia que tratava bem do filho e verificaram que era mesmo falta de recursos, a mãe estava desempregada. Agora irmãos estão ajudando, ele engordou", conta Maria Valéria.

DADOS.

Segundo informações do Atlas da Violência 2021, a violência contra mulheres com deficiência intelectual representa 56,9 notificações a cada 10 mil pessoas. Muitos destes casos são de violência sexual.

O mesmo índice, quando associado à pessoas com deficiência intelectual, mostra que são 36,2 notificações a cada 10 mil pessoas. Quando há deficiência física são 11,4 registros.

Outro dado assustador mostra que, quase a cada hora, um caso de violência contra pessoa com deficiência é registrado no Brasil. Um total de 7.600 notificações foram registradas em 2019. A título de comparação, em 2011, foram 3.000 casos.

OUTROS TIPOS DE VIOLÊNCIA.

Além da violência física há outras formas de manifestação de crimes contra a pessoa com deficiência. Há também casos de violência patrimonial, estelionato, furto, roubo e bullying. Isso inclui também apropriação ilegal do benefício da pessoa com deficiência e até privação de uso do celular, por exemplo.

A delegada Maria Valéria lembra de um desses casos: "A cuidadora de uma senhora que era cadeirante e estava acamada desviou uma fortuna da vítima e a advogada notou e registrou a ocorrência. Como ela não podia ir ao banco, emitia cheques. Por fim, a cuidadora confessou que havia adulterado cheques da paciente".

COMO DENUNCIAR.

É possível denunciar todas as formas destes crimes de forma totalmente anônima: Disque Direitos Humanos no número 100, 180 para violência doméstica, conselhos tutelares e 190 da Polícia Militar. Os boletins de ocorrência podem ser feitos em Delegacias da Mulher, Delegacia Eletrônica (online) e Delegacia da Pessoa com Deficiência.

A delegacia especializada em São Paulo é uma das poucas no país dedicada a estes atendimentos. "A estrutura é pequena, mas temos viatura adaptada para cadeirante e é um atendimento especial, com paciência, cuidado, respeito ao outro e a gente se envolve com os casos. A cidade de São Paulo tem 880 mil pessoas com deficiência e essas pessoas não podem ser invisíveis. Torço pela ampliação do número de delegacias especializadas", explica a delegada.

Deficientes auditivos podem procurar a Central de Apoio por meio do telefone 3311-3383 e solicitar um intérprete de libras, que vai retornar a ligação por chamada de vídeo. Já o deficiente visual pode escutar a descrição do que foi registrado no boletim de ocorrência.

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